Milos Vucevic, primeiro-ministro da Sérvia, anunciou sua renúncia nesta terça-feira em meio a protestos massivos contra a corrupção e o governo do presidente Aleksandar Vucic. O movimento, liderado por estudantes, ganhou força após o desabamento mortal de um teto na estação ferroviária de Novi Sad em novembro passado, que deixou 13 mortos e expôs falhas estruturais vinculadas a contratos públicos.
“Decidi sair para evitar o aumento das tensões”, declarou Vucevic, que foi prefeito de Novi Sad em 2022, quando a obra foi iniciada por uma empresa chinesa. O estopim imediato foi um ataque a uma estudante na madrugada, supostamente por militantes do partido governista SNS. “Sempre que há esperança de diálogo, uma mão invisível cria novos incidentes”, criticou, em referência à escalada de violência.
Os manifestantes, que bloquearam por 24 horas o cruzamento de Autokomanda, em Belgrado, exigem transparência nas investigações, liberação de documentos sobre a reforma da estação e aumento de investimentos em educação. A pressão levou Vucic a sinalizar abertura para negociações, após meses de acusar os protestos de serem “orquestrados por agentes estrangeiros”.
Enquanto o parlamento sérvio tem 30 dias para confirmar a renúncia ou convocar eleições antecipadas, a oposição pressiona por um governo de transição que garanta votação justa. Goran Vesic, ex-ministro dos Transportes, está entre os 15 acusados pelo desabamento. Especialistas da Universidade de Belgrado denunciam que os relatórios divulgados são “incompletos e manipulados”.
Nas ruas, a resistência ganhou reforço: agricultores e motociclistas formaram barreiras humanas para proteger os estudantes, que seguem enfrentando ataques violentos — incluindo investidas de carros contra manifestantes. A crise, que começou com uma tragédia evitável, transformou-se em um terremoto político capaz de abalar uma década de poder de Vucic.

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