A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um apelo contundente a Israel nesta sexta-feira, condenando a ordem de retirada de civis de Gaza e alegando que tal medida equivale a uma “sentença de morte” para pacientes vulneráveis, muitos dos quais dependem de aparelhos de suporte vital em hospitais.
O diretor-geral da OMS, representante da agência da ONU, instou Israel a reverter imediatamente essa decisão, em um momento em que a região enfrenta uma crise humanitária devastadora. “Há pessoas gravemente doentes cujos ferimentos significam que sua única chance de sobrevivência é o uso de ventiladores mecânicos”, declarou o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic. “Portanto, mover essas pessoas é uma sentença de morte. Exigir que profissionais de saúde realizem essa ação é mais do que cruel.”
A OMS relatou que as autoridades de saúde locais em Gaza confirmaram a impossibilidade de evacuar pacientes hospitalares vulneráveis do norte de Gaza dentro do prazo de 24 horas estipulado pelas forças militares israelenses.
A medida de Israel, que exigiu que os civis se deslocassem para o sul de Gaza, foi alvo de duras críticas, não apenas pela OMS, mas também pela própria ONU. Stéphane Dujarric, porta-voz das Nações Unidas, afirmou que a mesma ordem de retirada foi aplicada a funcionários da ONU e às pessoas abrigadas em instalações da organização, incluindo escolas, centros de saúde e clínicas. Ele ressaltou que tal movimento teria “consequências humanitárias devastadoras” e pediu a revogação imediata dessa ordem.
Enquanto o debate sobre a situação em Gaza continua, as estatísticas de perdas humanas são angustiantes. O Ministério palestino da Saúde relatou que pelo menos 1.799 pessoas perderam a vida nos ataques israelenses na Faixa de Gaza desde o início do conflito desencadeado pela ofensiva do Hamas contra Israel em 7 de outubro. Entre as vítimas, 583 eram crianças e 351 mulheres, com mais de 7.000 feridos, acentuando o impacto devastador dessa crise.