Revolução no mRNA: O Nobel que Mudou a Medicina

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Na segunda-feira (02), a Suécia testemunhou um momento histórico quando o Instituto Karolinska concedeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina a dois cientistas extraordinários: Katalin Karikó e Drew Weissman. A honra foi concedida em reconhecimento aos estudos pioneiros que pavimentaram o caminho para o desenvolvimento das eficazes vacinas de mRNA contra a Covid-19 durante a pandemia. O comitê do Nobel, em um comunicado emocionante, afirmou que as descobertas desses dois visionários alteraram fundamentalmente nossa compreensão de como o mRNA (RNA mensageiro) interage com nosso sistema imunológico e aceleraram o desenvolvimento de vacinas a uma taxa nunca antes vista.

O Pré-Pandemia: As Raízes da Revolução

É importante notar que o trabalho desses cientistas começou muito antes do surto global de Covid-19. Na década de 1990, a bioquímica húngara Katalin Karikó, então professora assistente na Universidade da Pensilvânia, e o imunologista Drew Weissman, seu colega, embarcaram em uma jornada de descoberta. Karikó estava determinada a encontrar maneiras de usar o mRNA de forma mais eficaz, enquanto Weissman estava profundamente envolvido em estudar células dendríticas e seu papel crítico na vigilância imunológica e na ativação das respostas imunológicas induzidas por vacinas.

Desvendando o Enigma do mRNA

A chave para o sucesso desses dois cientistas foi perceber que o mRNA transcrito in vitro, utilizado na produção de proteínas, era instável e desencadeava respostas inflamatórias nas células dendríticas, que o viam como uma substância estranha. No entanto, o mRNA de células de mamíferos não provocava essa reação. A diferença crucial residia nas modificações químicas das bases do RNA de células de mamíferos, algo ausente no mRNA transcrito in vitro. Essa observação levou-os a se questionar se essas modificações explicavam as reações inflamatórias.

Descobertas Transformadoras

Para investigar essa hipótese, eles desenvolveram variantes de mRNA, cada uma com modificações químicas específicas em suas bases, e as entregaram às células dendríticas. O resultado foi revelador: a resposta inflamatória praticamente desapareceu quando as modificações de base foram introduzidas no mRNA. Essas descobertas, feitas em 2005, quase 15 anos antes da pandemia, lançaram as bases para uma revolução na medicina.

Em 2008 e 2010, Karikó e Weissman realizaram novos estudos, demonstrando que o mRNA com modificações de base aumentava significativamente a produção de proteínas em comparação com o mRNA não modificado. Isso ocorreu devido à redução da ativação de uma enzima reguladora da produção de proteínas.

As Vacinas de mRNA e seu Impacto

Essas descobertas iniciais da dupla resolveram desafios cruciais relacionados ao uso do mRNA em aplicações clínicas. Em 2010, várias empresas começaram a desenvolver essa tecnologia, levando à criação das primeiras vacinas de mRNA contra o vírus Zika e o MERS-CoV. No entanto, foi durante a pandemia de Covid-19 que essa revolucionária tecnologia de mRNA atingiu seu apogeu. Duas vacinas de mRNA com base em modificações químicas, que codificavam a proteína de superfície do coronavírus Sars-CoV-2, foram desenvolvidas em tempo recorde. Essas vacinas demonstraram uma eficácia de cerca de 95% e foram aprovadas já em dezembro de 2020. Além disso, abriram caminho para uma série de outras vacinas contra o coronavírus, usando diferentes metodologias, resultando na administração de mais de 13 bilhões de doses em todo o mundo. A tecnologia do mRNA também se apresenta como uma promissora ferramenta para o desenvolvimento de vacinas contra outras doenças infecciosas e tratamentos para câncer, entre outras aplicações.

O Legado e o Futuro

O comitê do Nobel destacou que, por meio de suas descobertas fundamentais sobre as modificações de base no mRNA, Katalin Karikó e Drew Weissman desempenharam um papel crítico no enfrentamento de uma das maiores crises de saúde de nossa era. Suas contribuições não apenas revolucionaram a resposta à pandemia, mas também abriram novos horizontes na medicina, onde o mRNA pode ser usado para desenvolver proteínas terapêuticas e tratar várias doenças.

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