A Grande Mentira do New York Times: A Tecnologia Não Criou a Desigualdade

Há uma grande mentira propagada por figuras do centrismo que é quase tão perniciosa quanto a falácia de que Donald Trump venceu as eleições de 2020. Trata-se da ideia de que a desigualdade foi impulsionada pela tecnologia, uma força autônoma no mundo, e não pelas escolhas políticas feitas pelos governantes.

Essa mentira se infiltra em quase todas as discussões políticas nos principais meios de comunicação, não apenas no New York Times, mas também no Washington Post, The Atlantic, The New Yorker e em praticamente todas as demais grandes publicações. Ela é perigosa porque, ao afirmar que a desigualdade é resultado de forças naturais, como inundações ou furacões, ela desvia a responsabilidade daqueles que detêm o poder, que tomaram decisões políticas ao longo das últimas quatro décadas.

A versão mais recente dessa grande mentira aparece em uma análise de Roger Cohen, jornalista veterano do New York Times, sobre as eleições de 2024. No artigo, Cohen tenta explicar a raiva que motiva eleitores de Trump e de outros populistas de direita ao redor do mundo, sugerindo que ela decorre de:

“Quando a esperança desmoronou nas comunidades deixadas para trás pela tecnologia.”

Esse tipo de argumento já é aceito como sabedoria incontestável nos debates das elites políticas, mas é, na prática, uma falácia evidente.

Governos são os responsáveis pelas regras que determinam quem vence e quem fica “para trás”. A tecnologia por si só não faz isso.

Um exemplo óbvio: os governos concedem monopólios de patentes e direitos autorais. Essas políticas são projetadas para incentivar a inovação e o trabalho criativo. São, em muitos aspectos, políticas benéficas, mas não é a tecnologia que nos dá esses monopólios — são os governos.

Será que isso faz diferença? Pergunte-se: quanto Bill Gates seria rico hoje se qualquer pessoa pudesse usar qualquer software da Microsoft sem pagar um centavo para ele? Ele provavelmente ainda estaria bem, mas certamente não seria um dos homens mais ricos do mundo.

Esses monopólios concedidos pelo governo transferem anualmente mais de 1 trilhão de dólares (aproximadamente 7 mil reais por família) da população para aqueles que estão em posição de se beneficiar deles. No caso dos medicamentos prescritos, esse valor pode ultrapassar 500 bilhões de dólares por ano. Além de transferir recursos dos cidadãos para os mais ricos, esses monopólios dificultam o acesso de milhões de pessoas a medicamentos que, em um mercado livre, seriam muito mais baratos, essenciais para sua saúde e sobrevivência.

Essa transferência maciça de renda é totalmente resultado de escolhas políticas. A questão não se limita a decidir se devemos ou não ter patentes e direitos autorais, mas envolve aspectos como a duração e a força dessas proteções, o que deve ser protegido e quem realmente se beneficia do trabalho apoiado pelo governo. Este último ponto é particularmente relevante no caso dos medicamentos prescritos, nos quais o governo investe mais de 50 bilhões de dólares anualmente em pesquisa biomédica. Grande parte desse investimento vai para a indústria farmacêutica, que, por sua vez, recebe monopólios sobre as patentes resultantes dessa pesquisa pública e lucra com elas.

É um truque astuto afirmar que a distribuição de renda resultante dessas políticas governamentais é meramente obra da tecnologia, algo que só pessoas desinformadas ficariam irritadas. No entanto, isso é uma mentira completa, e as pessoas têm total direito de estar indignadas.

Deixe claro que quase ninguém entre os seguidores de Trump provavelmente refletiu sobre monopólios de patentes e direitos autorais. Este é o tipo de assunto técnico que eles não têm tempo de analisar e que é ocultado de qualquer maneira.

Mas o que eles percebem são os resultados: pessoas e comunidades são deixadas para trás, não pela tecnologia, mas pelas escolhas políticas deliberadas. E isso os deixa extremamente revoltados.

Donald Trump não tem as respostas para essa situação. Ficar se fazendo de durão, enquanto enche seus próprios bolsos e os de seus amigos, não vai ajudar os trabalhadores que perderam bons empregos sindicalizados na indústria e em outros setores. Mas sua mensagem encontra eco porque ele está dizendo às pessoas que, de fato, há algo de que se queixar. Seria bom se o New York Times e outros grandes meios de comunicação pelo menos reconhecessem esse fato, em vez de continuar espalhando sua grande mentira.

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