Centenas de agricultores britânicos se reuniram em Londres para exigir a revogação de novas regras de imposto sobre herança de terras, alegando que a medida pode destruir fazendas familiares e comprometer a produção de alimentos.
Carregando cartazes com mensagens como “sem agricultores, sem comida, sem futuro” e críticas ao primeiro-ministro Keir Starmer, os manifestantes ocuparam a Praça do Parlamento na terça-feira. O imposto, apelidado de “imposto do trator” pelos críticos, foi introduzido no orçamento do novo governo trabalhista como uma forma de aumentar a arrecadação.
Até a mudança, herdar fazendas familiares era isento de tributação. Mas, a partir de 2026, será aplicada uma taxa de 20% sobre o valor das propriedades acima de 1 milhão de libras esterlinas (cerca de R$ 6,33 milhões).
Embora o governo afirme que a nova regra atingirá apenas 500 fazendas por ano, agricultores e associações do setor alertam que o impacto será muito maior. A Associação de Terras e Negócios Rurais estima que até 70 mil propriedades poderão ser afetadas.
Agricultores como Olly Harrison, um dos participantes do protesto, defendem que o imposto ignora as baixas margens de lucro do setor. “Não somos sonegadores de impostos. Se tivermos lucros, tributem esses lucros. Mas sem lucro, como vamos pagar um imposto de herança?”, questionou Harrison, destacando que o valor das terras não reflete a realidade financeira de quem trabalha com agricultura.
Emma Robinson, uma agricultora de 44 anos cuja família possui uma fazenda no noroeste da Inglaterra há cinco séculos, classificou a medida como uma interferência devastadora. “Isso está tirando das minhas mãos algo que pertence à minha família há gerações”, desabafou.
Governo minimiza impacto, agricultores prometem resistência
O governo alega que, considerando isenções para casais e propriedades agrícolas, o limite tributável pode chegar a 3 milhões de libras (cerca de R$ 19 milhões), protegendo a maioria das fazendas. Starmer afirmou que “a grande maioria das fazendas” não será afetada pela mudança.
No entanto, o presidente da União Nacional de Agricultores, Tom Bradshaw, prometeu que os protestos continuarão até que o governo mude de posição. “Não podemos aceitar uma política com impactos humanos tão desastrosos e ficar calados”, declarou.
Enquanto isso, agricultores alertam que a medida não só prejudica famílias rurais como também ameaça a sustentabilidade alimentar do Reino Unido, especialmente em um contexto de inflação crescente e insegurança alimentar global.

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