O corante vermelho 3, utilizado em alimentos, bebidas e medicamentos, foi banido pela FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) após evidências de que ele causa câncer em ratos de laboratório. A decisão seguiu uma petição de grupos de defesa do consumidor apresentada em 2022, que argumentou que o corante, já proibido em cosméticos há 35 anos, deveria ser banido também em alimentos e remédios.
O que é o corante vermelho 3? Conhecido como eritrosina ou FD&C Red No. 3, o corante vermelho é derivado do petróleo e é utilizado para dar cor vermelha a doces e xaropes para tosse. Em 1990, a FDA já havia banido o uso desse corante em cosméticos e medicamentos não orais, como cremes analgésicos, após um estudo que revelou seu potencial cancerígeno em ratos. Em 2022, organizações de consumidores e cientistas pediram à FDA que proibisse o uso do corante também em alimentos e remédios, o que foi finalmente atendido.
A base legal para a proibição A proibição se deu com base na Cláusula Delaney, uma legislação que impede a FDA de autorizar o uso de aditivos alimentares ou corantes que causem câncer em seres humanos ou animais. Embora os estudos tenham mostrado que o corante causa câncer em ratos machos, a FDA afirmou que os efeitos não se aplicam aos seres humanos, mas a decisão foi tomada como uma questão de cumprimento da lei.
Impacto internacional O corante vermelho 3 já havia sido banido para uso em alimentos na Europa, Austrália e Nova Zelândia, com exceção de algumas cerejas marasquino usadas em coquetéis ou como balas. No entanto, ele ainda aparece em produtos populares nos Estados Unidos, como a cobertura vermelha de bolos Betty Crocker e o doce Brach’s Candy Corn.
O que disseram as partes envolvidas A Associação Nacional dos Confeiteiros dos EUA, que representa a indústria de confeitos de US$ 48 bilhões (aproximadamente R$ 250 bilhões), afirmou que continuará seguindo as orientações da FDA em relação à segurança alimentar. Por outro lado, o Center for Science in the Public Interest, que liderou a petição de 2022, celebrou a decisão, considerando-a uma correção de uma falha regulatória de décadas.
No entanto, a Associação Internacional de Fabricantes de Corantes, que defende o uso seguro de corantes naturais e sintéticos, argumentou que, embora o corante tenha causado câncer em ratos em altas concentrações, não há certeza de que os mesmos efeitos ocorram em seres humanos, dada a diferença nas concentrações de exposição.
O futuro das adições alimentares nos EUA A decisão da FDA ocorre em meio a discussões sobre a regulamentação de aditivos alimentares. Robert F. Kennedy Jr., que deve assumir o cargo de Secretário de Saúde do país, também se manifestou contra outros aditivos alimentares, como corantes em cereais, e tem criticado o uso de óleos vegetais. No entanto, essa posição foi amplamente criticada por cientistas e nutricionistas, que defendem que os óleos vegetais não são prejudiciais à saúde.

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