O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, alertou as autoridades israelenses contra a tentativa de tirar proveito da crise em curso na Síria, recomendando que evitassem ações precipitadas que pudessem agravar as tensões na região.
A advertência ocorre após a incursão de tropas israelenses na zona de amortecimento entre as Colinas de Golã e a Síria, pouco depois de grupos da oposição síria, liderados pela organização jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), lançarem uma ofensiva que resultou na captura de importantes cidades, incluindo a capital, Damasco. O presidente sírio, Bashar al-Assad, renunciou e recebeu asilo político na Rússia.
Em meio à instabilidade gerada pela queda do governo de Assad, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que seu gabinete aprovou um plano para expandir a presença judaica nas Colinas de Golã, território ocupado ilegalmente por Israel desde 1967. A decisão, que inclui a criação de novos assentamentos, recebeu severas críticas da ONU e de países árabes.
Na segunda-feira, Sergey Ryabkov comentou os desdobramentos e alertou sobre a postura israelense. “Gostaria de advertir certos ‘cabeças quentes’ em Jerusalém Ocidental contra o que chamo de embriaguez com as oportunidades”, afirmou o diplomata russo, enfatizando que a anexação das Colinas de Golã é “absolutamente inaceitável”.
O vice-ministro também apelou para que Israel respeite integralmente o acordo de separação de forças de 1974, que estabeleceu a zona de amortecimento nas Colinas de Golã. O governo israelense, no entanto, alega que o colapso do exército sírio invalidou o acordo.
Herzi Halevi, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), afirmou que o país não tem interesse em administrar a Síria, mas justificou a incursão como uma medida para evitar que elementos terroristas se instalem próximos à fronteira. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que a operação visa criar uma nova “zona de segurança” livre de armas estratégicas e infraestrutura terrorista.
Enquanto isso, a Rússia destacou que a situação na Síria está sendo explorada por forças externas, com destaque para os Estados Unidos e Israel, considerados os principais beneficiários da crise.

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