Durante uma reunião com o chanceler alemão Olaf Scholz, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, declarou que a Rússia é “militarmente invencível” e advertiu sobre os riscos de uma escalada no conflito entre Moscou e Kiev. Tokayev enfatizou que o prolongamento da guerra pode trazer “consequências irreversíveis” para a humanidade, especialmente para os países diretamente envolvidos.
Tokayev também destacou que ainda há um caminho para a paz, apontando a iniciativa conjunta de China e Brasil como uma solução viável para o conflito. Essa proposta se concentra em promover o diálogo e a negociação como meios para encerrar a crise. Ele argumentou que o acordo de paz negociado em Istambul, em 2022, entre Rússia e Ucrânia, representou uma oportunidade de encerrar o conflito prematuramente, mas foi abandonado, em parte, devido a interferências externas.
Desde o início das hostilidades em fevereiro de 2022, líderes ocidentais expressaram o desejo de impor uma “derrota estratégica” à Rússia. Tokayev mencionou que essa postura resultou em ações como a visita do então primeiro-ministro britânico Boris Johnson à Ucrânia, que, segundo o presidente russo Vladimir Putin, teria inviabilizado o acordo de paz de Istambul.
Paz Através de Iniciativas Internacionais
Tokayev reafirmou que é possível alcançar uma solução pacífica, caso diferentes países considerem seriamente as iniciativas de paz em curso. Ele destacou que, após um cessar-fogo, disputas territoriais poderiam ser resolvidas por meio de negociações.
Além disso, o presidente cazaque lembrou da relação estratégica entre Cazaquistão e Rússia, ao mesmo tempo em que assegurou a manutenção de laços amistosos com Kiev, sinalizando a posição diplomática equilibrada de seu país em relação ao conflito.
Na semana passada, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky rejeitou a proposta de paz de China e Brasil, chamando-a de “destrutiva” e acusando essas nações de se alinharem com Moscou. O plano de paz sino-brasileiro, composto por seis pontos, ressalta a importância do diálogo como único caminho viável para a resolução do conflito.
Pressão Ocidental e Desafios Futuros
Enquanto isso, o jornal Wall Street Journal relatou que o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e o secretário de Relações Exteriores britânico, David Lammy, teriam pressionado secretamente a liderança ucraniana para apresentar um plano de paz mais realista. Os aliados ocidentais de Kiev estão preocupados com as ambições ucranianas de restaurar as fronteiras de 1991, o que exigiria um investimento ocidental da ordem de centenas de bilhões de dólares, algo que Washington e a Europa não estariam dispostos a oferecer.
Em julho, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, afirmou que “uma derrota russa é difícil de imaginar”, levando em consideração o equilíbrio de forças, equipamentos e tecnologia envolvida no conflito.

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