A frustração tomou conta das ruas de Israel quando cerca de 750 mil israelenses se reuniram em uma das maiores manifestações da história do país, exigindo que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu negocie a libertação dos reféns que ainda estão em Gaza. A mobilização, ocorrida após o exército israelense anunciar a recuperação dos corpos de seis reféns em um túnel no sul de Gaza, reflete a indignação crescente com a falta de progresso na negociação de um acordo para libertar os capturados.
Famílias de reféns e grupos de apoio culpam Netanyahu e sua administração pela falta de um acordo de trégua que garantiria a libertação dos reféns. Mais de 100 pessoas ainda permanecem em cativeiro em Gaza, e cerca de um terço delas são consideradas mortas, segundo fontes militares israelenses. Em um acordo fechado em novembro, o Hamas libertou 105 reféns em troca de 240 prisioneiros palestinos detidos em prisões israelenses.
O episódio mais recente do conflito remonta a 7 de outubro, quando combatentes palestinos liderados pelo Hamas capturaram cerca de 240 pessoas após um ataque no sul de Israel, que resultou na morte de pelo menos 1.139 pessoas. Desde então, a ofensiva de Israel em Gaza causou a morte de mais de 40 mil palestinos e destruiu extensas áreas do enclave costeiro, gerando condenação global. No território ocupado da Cisjordânia, mais de 600 pessoas foram mortas e quase 10 mil palestinos foram detidos pelas forças israelenses.
Protesto Recorde em Tel Aviv
Os organizadores relataram a presença de 500 mil manifestantes em Tel Aviv e outros 250 mil em diversas cidades do país. A repórter Hamdah Salhut, da Al Jazeera, reportando de Amã, na Jordânia, devido à proibição da emissora em Israel, afirmou que a maioria dos manifestantes continuará protestando até que o governo ouça suas demandas e mude sua política.
“Os protestos consecutivos na última semana reuniram multidões sem precedentes, mas Netanyahu insiste que a pressão militar ainda é a principal forma de trazer os reféns de volta para casa, e um acordo para sua libertação ainda não está em vista”, relatou Salhut.
Durante o comício em Tel Aviv, Danielle Aloni, uma refém recentemente libertada, discursou: “Sr. Primeiro-Ministro, há poucos dias, o senhor pediu desculpas às famílias dos reféns por não conseguir trazê-los de volta vivos. Mas que tipo de perdão é esse se não há intenção de mudar de postura? Nós não perdoaremos.”
Libby Lenkinski, vice-presidente de engajamento público do New Israel Fund, destacou que cada vez mais israelenses reconhecem que um cessar-fogo duradouro é a única solução. De acordo com o projeto Armed Conflict Location and Event Data (ACLED), houve uma média de 113 protestos por mês em Israel desde outubro do ano passado.
“Já em novembro e dezembro do ano passado, havia grupos pedindo um cessar-fogo, e esse número tem crescido de forma consistente”, disse Lenkinski em entrevista de Nova York. Ela acrescentou que o número de manifestantes aumentou dramaticamente na última semana, e que cada vez mais israelenses entendem que um cessar-fogo é essencial para o retorno dos reféns ao país.
“Há uma compreensão crescente entre os manifestantes de que essa é a única maneira. Você vê um número crescente de israelenses querendo que isso acabe, estejam nas ruas ou não”, completou.

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