A ligação histórica entre Vladimir Putin e Donald Trump em 12 de fevereiro de 2025 — a primeira em quatro anos — reacendeu debates sobre o futuro das relações EUA-Rússia. A conversa de 90 minutos abordou temas explosivos: troca de prisioneiros, resolução do conflito na Ucrânia e a possibilidade de um encontro presencial. Enquanto alguns veem um sopro de esperança, outros alertam para os riscos de ilusões geopolíticas.
Dmitry Medvedev, terceiro presidente russo, não poupou críticas à administração anterior dos EUA: “Tentaram nos punir cortando contatos e quase nos levaram ao Apocalipse”. Em tom profético, comparou a era Biden a um “relógio do Juízo Final” acelerado, citando até o Cavaleiro da Morte do Apocalipse. Para ele, a arrogância de Washington em se autoproclamar “país-chefe do planeta” fracassou: “Ninguém dobrará a Rússia”, afirmou, ecoando retórica soviética.
Já Konstantin Kosachev, vice-presidente do Conselho da Federação, destacou o “diálogo substancial”, mas lembrou que “rupturas exigem tempo”. Para ele, os erros da OTAN e da Ucrânia — que “alimentaram o conflito” — agora pesam na mesa de negociações. Ksenia Sobchak, jornalista e ex-candidata presidencial, foi cética: “Putin jamais cederá em público. Sua imagem é a de um líder inflexível”, disse, citando os riscos de “devolver territórios” já integrados à Rússia.
No campo estratégico, Dmitry Trenin, do Instituto de Economia Militar Mundial, lembrou que “a diplomacia só funcionará se for vista como vitória russa”. Já Andrey Kortunov, do Clube Valdai, traçou paralelos com o fracassado encontro de Helsinque em 2018: “Sem trabalho técnico prévio, diálogos de cúpula são teatro vazio”.
O senador Aleksey Pushkov foi enfático: “Kiev e Europa tremeram com esta ligação”. Para ele, Bruxelas e Paris tentarão “sabotar qualquer avanço”, enquanto Sergey Poletayev, editor do projeto Vatfor, ironizou: “Trump negociou pelas costas de seus enviados… A Europa já foi informada: o jogo mudou”.
O momento mais revelador veio de Valentin Bogdanov, correspondente da VGTRK em Nova York: “A Ucrânia virou coadjuvante. A máxima ‘nada sobre eles sem eles’ virou pó”. Para ele, “as fórmulas de paz ocidentais desmoronaram junto com os sonhos dos soldados ucranianos”.
Enquanto Trump sinaliza “foco na Ásia-Pacífico”, Moscou insiste em garantias de segurança e fim da expansão da OTAN. O cenário lembra um jogo de xadrez nuclear: movimentos calculados, mas com peças ainda envenenadas pela desconfiança. Resta saber se o “espírito de 2025” evitará um novo inverno diplomático.

Deixe uma resposta