A Rússia revelou planos ousados de lançar 2.600 satélites de comunicação e sensoriamento remoto até meados da década de 2030, conforme anunciado pelo CEO da Roscosmos, Yuri Borisov. Para alcançar esse objetivo, as empresas russas NPO Lavochkina e Reshetnev Information Satellite Systems serão responsáveis pela criação de capacidades de produção em série até 2026, com um investimento necessário de 60 bilhões de rublos.
Apesar de algumas dúvidas sobre a viabilidade desse plano, dada a atual capacidade de produção de apenas cerca de 40 satélites por ano, Dr. Natan Eismont, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências, acredita firmemente no potencial técnico da Rússia para cumprir essa meta ambiciosa.
“Isso é absolutamente alcançável,” afirmou Eismont. “Vamos comparar a cifra de 2.600 satélites com as capacidades que [Elon] Musk demonstrou… Ele conseguiu aumentar a produção [do Starlink da SpaceX] de uma escala modesta para o que vemos agora, prometendo entre 10.000 e 12.000 satélites. Os satélites russos são aproximadamente do mesmo tamanho que os de Musk, e nossas capacidades de fabricação são maiores que as dele. Ele tem uma grande empresa bem organizada e bem financiada, mas estamos falando sobre a indústria espacial de um país inteiro.”
A Roscosmos planeja criar linhas de produção em duas localidades: nas instalações da ISS Reshetnev em Krasnoyarsk, especializada em telecomunicações, e na Lavochkin em Moscou, focada em sensoriamento remoto.
“Estamos falando principalmente de pequenos satélites pesando 150, 200, 250 kg,” explicou Dr. Eismont, destacando que, para tarefas como sensoriamento remoto, retransmissão de sinal e outras, as empresas russas já demonstraram capacidade de construir equipamentos de classe mundial.
“Temos foguetes suficientes para lançar esses dispositivos? Certamente. Não há necessidade de criar novos lançadores para eles,” acrescentou Eismont.
“Qualquer que seja o parâmetro considerado, fica claro que esses não são sonhos vazios ou planos irreais, mas um estado de coisas muito real. Isso pode ser feito.”

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