No massacre em Gaza, que agora se estende à Cisjordânia, Estados Unidos e Reino Unido não apenas fornecem as principais armas para a destruição física, como também colaboram com Israel em uma guerra de desinformação e manipulação pública. Observadores atentos nos EUA e no Reino Unido percebem que o envio de armas avançadas para o Estado de apartheid, incluindo bombas de penetração de bunker de 2.000 libras, mísseis Hellfire de precisão e outras ferramentas de destruição, é parte de um esforço coordenado para exterminar a população civil palestina, seja por morte ou deportação forçada. A corporação militar britânica BAE Systems também contribui, fornecendo peças para os caças F-35 israelenses, além de sistemas de drones navais e guias de mísseis, utilizados nas ofensivas contra palestinos.
As populações de ambos os países, porém, mostram-se desconectadas de seus líderes. Pesquisas recentes indicam que 70% dos eleitores nos EUA e 56% dos britânicos desejam um cessar-fogo imediato e o fim do fornecimento de armas para Israel. No entanto, os principais partidos políticos continuam inertes, sem qualquer ação significativa para interromper o massacre contínuo na Palestina.
A Influência do Lobby Sionista nos EUA e no Reino Unido
A relação estreita entre os governos dos EUA e do Reino Unido com Israel pode ser explicada, em parte, pela influência do lobby sionista nesses países. O lobby israelense, que abrange grupos como o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (AIPAC) e outras organizações, tem papel central no direcionamento da política externa dos EUA e Reino Unido no Oriente Médio. Essa influência é particularmente evidente nas eleições, onde milhões de dólares são gastos para garantir que políticos favoráveis a Israel sejam eleitos ou reeleitos.
Em junho de 2024, o AIPAC e seu braço financeiro, o United Democracy Project (UDP), gastaram US$ 14,5 milhões para derrotar Jamaal Bowman, um congressista democrata que ousou criticar o genocídio em Gaza. Essa mesma estratégia foi usada em várias outras campanhas, com o objetivo de remover progressistas que se opõem ao apoio incondicional dos EUA a Israel. A organização arrecadou, ao todo, US$ 30 milhões apenas no ciclo eleitoral de 2024, com a expectativa de chegar a US$ 100 milhões até o final do ano.
O financiamento do AIPAC provém de grandes corporações e bilionários como Jan Koum, ex-CEO do WhatsApp, e investidores do setor imobiliário e financeiro. Mais de 60% dos recursos vêm de executivos de empresas da Fortune 500, que buscam influenciar tanto a política doméstica quanto a internacional em favor de Israel.
Controle Sionista na Política Britânica
No Reino Unido, a influência do lobby sionista é igualmente poderosa. Desde o período colonial, passando pela Declaração de Balfour, o governo britânico manteve uma aliança estreita com o movimento sionista, que só se fortaleceu ao longo dos anos. Organizações como os Amigos Conservadores de Israel (CFI) e os Amigos Trabalhistas de Israel (LFI) exercem grande poder sobre os principais partidos britânicos, com doações generosas e influências diretas sobre parlamentares.
O líder trabalhista Keir Starmer, que declarou abertamente seu apoio ao sionismo, intensificou a repressão contra críticos de Israel. Em 2024, críticos do Estado israelense passaram a ser perseguidos sob a Lei de Terrorismo de 2000, como no caso da ativista Sarah Wilkinson, detida por publicar comentários críticos sobre o conflito. Outro jornalista, Richard Medhurst, foi preso no aeroporto de Heathrow sob acusações similares.
As doações a parlamentares britânicos incluem viagens a Israel e contribuições financeiras que asseguram o alinhamento do governo com os interesses sionistas. Um documentário de 2017 revelou como o governo israelense, por meio de sua embaixada em Londres, controla diretamente essas operações de lobby.
Uma Aliança que Reforça o Apartheid e a Opressão Global
A aliança entre o sionismo internacional e as grandes corporações transnacionais nos EUA e no Reino Unido não se limita ao apoio militar a Israel. Ela também promove uma política econômica neoliberal que perpetua a exploração da classe trabalhadora, tanto palestina quanto americana. O sistema de apartheid, mantido pelo apoio ocidental, se alimenta da desvalorização de direitos humanos e da ética, com o mercado sendo tratado como o único árbitro da justiça.
Seja pela repressão violenta em Gaza ou pela manipulação política nas capitais ocidentais, o sionismo internacional se mantém como uma força poderosa, silenciando vozes dissidentes e perpetuando um status quo que beneficia poucos à custa de muitos.

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