A política comercial de Donald Trump voltou a gerar turbulência global. Nesta quarta-feira, o presidente dos EUA anunciou novas tarifas abrangentes contra parceiros comerciais, parte do plano batizado de “Dia da Libertação” — medida que analistas classificam como “marteladas” sem nuance. “Trump aplica táticas primitivas tanto na economia quanto na geopolítica. É como usar um pé-de-cabra para consertar um relógio”, critica o analista financeiro Henry Johnston em entrevista à RT.
Segundo Johnston, a estratégia de sanções mútuas — onde os EUA cobrarão “metade do que outros países nos cobram” — ignora problemas estruturais de meio século. “Os desequilíbrios comerciais são profundos. Não se resolvem com tarifas como porrete“, argumenta. O plano, que já provocou reações da União Europeia e da China, ameaça incendiar relações com aliados. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu resposta “sólida“, enquanto o chanceler chinês Wang Yi alertou para “contra-ataques” a qualquer “chantagem” norte-americana.
No centro da crítica está a hipocrisia do sistema: Johnston lembra que os EUA se beneficiaram por décadas do dólar como moeda reserva global, permitindo financiar consumo interno sem gerar inflação. “Não é justo agora alegar que são vítimas quando o próprio sistema os favoreceu”, destaca. Desde janeiro, quando Trump retomou a presidência, as tarifas atingiram produtos da China, UE, Canadá, México e até peças automotivas — com a Europa sendo acusada de “práticas desleais“.
Para analistas, o risco é claro: guerras comerciais entre aliados. “A UE verá isso como ato hostil“, prevê Johnston. Enquanto Trump exibe gráficos de “reciprocidade” em discursos, a pergunta que fica é: quantas marteladas a economia global aguentará antes de rachar?

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