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Autoridades Não Encontram Vestígios de Invasão Após Morte de Cacique em Reserva no Amapá

A Polícia Federal e a Polícia Militar do Amapá ainda não encontraram evidências de qualquer invasão não-indígena à terra indígena Wajãpi após a morte na semana passada do líder tribal Emrya Wajãpi, cujas circunstâncias também estão sob investigação, informou o PF e o Ministério Público Federal ao Amapá na segunda-feira.

“A investigação ainda está em curso. Preliminarmente, ainda não foi encontrado nenhum vestígio (de invasão), que foi transmitido pelas equipes responsáveis pela diligência, equipes altamente especializadas”, afirmou o Procurador Rodolfo Soares Ribeiro Lopes, Procurador-Geral da Procuradoria Geral da República no Estado do Amapá, em entrevista coletiva em Macapá.

“Estes são os primeiros resultados da diligência”, disse ele.

Foto: Reprodução

Em comunicado, porém, o Conselho Tribo Wajãpi disse que os guerreiros étnicos mostraram à polícia os vestígios dos invasores e os levaram para onde estavam escondidos na sexta-feira. De acordo com o comunicado, a polícia disse aos nativos que não podiam entrar na selva para seguir a trilha e disse que, por ser uma área de difícil acesso, não podiam ficar e continuar a busca à noite.

“Nós, os Wajãpi, continuamos muito preocupados com os invasores na região norte da nossa terra indígena. Nas aldeias desta região, as famílias têm muito medo de ir aos campos ou de caçar. Algumas comunidades deixaram as suas aldeias para se reunirem com famílias de outras aldeias para se sentirem mais seguras”, acrescenta a nota.

O conselho também disse que as autoridades disseram que vão analisar imagens de satélite da região e, se encontrarem evidências, vão sobrevoar a região em busca de suspeitos de invasores.

Em um memorando datado de sábado, ao qual a Reuters teve acesso, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) disse que várias fontes relataram que os invasores, possivelmente menores, haviam sido vistos em terras wajãpi e que até haviam contatado as populações indígenas.

A FUNAI afirmou que, devido à dificuldade de acesso, alertou os serviços de segurança da região para verificar a veracidade das informações.

“Neste domingo, após a chegada dos dirigentes da Fundação, da Polícia Federal e do Bope, foi aberto um inquérito pela Polícia Federal para investigar a morte de um líder que morreu na semana passada”, informou a FUNAI em comunicado.

De acordo com a fundação, os funcionários da Funai estão no local e acompanham o trabalho da polícia. Também foi criado um gabinete de crise com representantes da FUNAI, do Ministério Público Federal, do Ministério Público Estadual, da Polícia Federal, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá e do Exército.

A morte do chefe provocou reações do presidente Jair Bolsonaro, crítico da demarcação de terras indígenas, e da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que descreveu a morte do chefe como um “sintoma preocupante” da pressão dos mineiros, madeireiros e agricultores do Brasil sobre os índios.

Comentando o caso esta manhã em Brasília, Bolsonaro, que recentemente disse que enviaria um projeto de lei ao Congresso para legalizar a mineração no país, disse que o excesso de reservas indígenas no país “inviabiliza o agronegócio” e questionou a morte do chefe Wajãpi.

“Neste caso, aqui e agora…… ainda não há nenhuma indicação forte de que este índio tenha sido assassinado lá agora. Várias possibilidades chegaram. O IP está lá, todos aqueles que podemos enviar para lá, já os enviamos para descobrir o caso e buscar a verdade”, disse o presidente em entrevista no exterior do palácio Alvorada.

O Sr. Bachelet, ex-presidente do Chile, manifestou preocupação com a morte do líder da Amazônia e pediu ao Sr. Bolsonaro que reconsiderasse sua posição sobre a liberação de outras áreas da Amazônia para a mineração.

“Eu apelo para o governo brasileiro agir de forma decisiva para deter a invasão de territórios indígenas e garantir o exercício pacífico de seus direitos coletivos sobre suas terras”, disse Bachelet, acrescentando que o desmatamento exacerba a mudança climática.

Renan Alves
Editor de conteúdo e autor do Central Blogs.

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