Em uma reviravolta impactante, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) se torna alvo de uma operação contundente da Polícia Federal, batizada de “Vigilância Aproximada”, que visa desmantelar uma suposta organização criminosa infiltrada na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O foco da investigação recai sobre atividades ilegais de monitoramento, incluindo o uso não autorizado de ferramentas de geolocalização em dispositivos móveis para vigiar autoridades e cidadãos.
As diligências desta manhã abrangem não apenas Ramagem, mas também seu confiável policial federal, Felipe Arlotta Freitas, indicando uma complexa teia de conexões. Surpreendentemente, o gabinete do deputado no Congresso Nacional é um dos locais onde a Polícia Federal executa mandados de busca e apreensão.
Ao todo, 21 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, além de medidas cautelares que incluem a suspensão imediata das funções públicas de sete policiais federais. As ações se desenrolam em diferentes pontos do país, como Brasília/DF, Juiz de Fora/MG, São João Del Rei/MG e Rio de Janeiro/RJ.
Continuidade da Investigação: Operação Última Milha e Consequências
A Operação Vigilância Aproximada é uma extensão das apurações iniciadas na Operação Última Milha, deflagrada em outubro de 2023. As provas colhidas naquela ocasião sugerem que o grupo criminoso criou uma estrutura clandestina dentro da ABIN, utilizando recursos da agência para atividades ilícitas, manipulação de informações para fins políticos e midiáticos, além de interferências em investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Os crimes em potencial incluem invasão de dispositivos informáticos alheios, participação em organização criminosa e interceptação não autorizada de comunicações telefônicas, informáticas ou telemáticas.
O Percurso de Ramagem: Da Lava-Jato à ABIN
Alexandre Ramagem, antes de sua passagem pela ABIN, teve uma carreira marcante coordenando a segurança em eventos de grande porte no Brasil, incluindo a Rio +20 (2012), Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos do Rio (2016). Sua trajetória ganhou proeminência durante o segundo turno das eleições de 2018, quando liderou a segurança pessoal do presidente eleito Jair Bolsonaro.
Antes de seu papel na ABIN, Ramagem contribuiu para investigações da operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, coordenando a operação “Cadeia Velha”, que resultou na prisão de importantes figuras políticas.
A nomeação de Ramagem como Superintendente Regional da PF no Ceará e posteriormente como assessor especial da Secretaria de Governo da Presidência da República evidencia sua ascensão no governo. Assumindo a ABIN em julho de 2019, Ramagem foi alvo de rumores sobre uma suposta “ABIN paralela” que estaria elaborando dossiês contra opositores do presidente, embora o governo sempre tenha negado tais alegações.
A Operação Vigilância Aproximada agora joga luz sobre aspectos controversos do percurso de Ramagem, trazendo à tona novas questões sobre sua conduta e conexões no cenário político nacional.

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