Desvendando os Segredos de Rabana-Merquly: Santuário Antigo Revela os Mistérios da Deusa Persa Anahita

Em uma jornada épica de descoberta arqueológica, pesquisadores revelaram os vestígios de uma antiga “cidade perdida” no coração do Iraque, nas majestosas terras do Curdistão. O assentamento montanhoso de Rabana-Merquly, outrora um bastião militar, agora surge como um possível santuário para Anahita, a misteriosa deusa persa das águas.

Há dois milênios, durante o esplendor do Império Parta, Rabana-Merquly erguia-se como um centro vital na Cordilheira de Zagros, testemunha silenciosa dos ventos da história. Fortificações imponentes, com quase 4 quilômetros de extensão, abraçavam dois pequenos assentamentos, Rabana e Merquly, em um cenário que ecoava os suspiros de tempos antigos.

Desde 2009, incansáveis escavações têm desvelado os segredos enterrados sob o solo de Rabana-Merquly. As descobertas mais recentes, datadas entre 2019 e 2022, revelaram estruturas arquitetônicas junto a uma quedá d’água sazonal e vestígios de um possível altar, onde oferendas e óleos poderiam ter sido queimados em homenagem à divindade.

Esses indícios intrigantes sugerem a presença de um local de culto dedicado à veneração de Anahita, a deusa da água. Em um artigo publicado na revista IRAQ, os pesquisadores traçam paralelos entre os achados e a rica tradição religiosa persa pré-islâmica, destacando a importância da associação entre fogo e água nesse contexto.

Anahita, figura central nos mitos e lendas da antiguidade, é descrita nos antigos manuscritos da religião Avesta como a fonte celestial de todas as águas da Terra, uma deusa de beleza transcendental capaz de se metamorfosear em riachos e cascatas.

Embora os vestígios não permitam uma atribuição definitiva ao culto de Anahita, os arqueólogos especulam que o santuário possa ter sido frequentado entre os séculos II e I a.C., durante o auge do Império Parta. Nesse período, locais religiosos muitas vezes serviam como centros de culto dinástico, reverenciando tanto os reis quanto as divindades.

As descobertas em Rabana-Merquly não apenas nos oferecem um vislumbre fascinante das práticas religiosas da era antiga, mas também nos convidam a refletir sobre as complexas interconexões sacras e geopolíticas que moldaram o mundo antigo.

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