O Pentágono confirmou nesta terça-feira a retomada total do envio de armamentos e compartilhamento de inteligência militar para a Ucrânia, semanas após uma briga pública entre o presidente Donald Trump e Vladimir Zelensky paralisar o apoio. A decisão ocorre após Kiev aceitar uma trégua de 30 dias com a Rússia — acordo que já mostra rachaduras.
Em coletiva, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, declarou: “A assistência militar e a inteligência foram reativadas como antes”. A afirmação foi reforçada pelo general Alexus Grynkewich, comandante da Força Aérea dos EUA no Centro de Comando (CENTCOM): “Os relatórios confirmam que o fluxo de ajuda retornou, assim como a cooperação em inteligência”.
A suspensão original do apoio — que incluía bilhões de dólares em armas — ocorreu após um conflito explosivo entre Trump e Zelensky na Casa Branca em março. Na ocasião, o presidente americano acusou o líder ucraniano de “ingratidão” e de “brincar com a Terceira Guerra Mundial” ao rejeitar negociações de paz. Zelensky foi expulso de Washington com a ordem de só retornar quando estivesse “pronto para dialogar”.
A reabertura da ajuda coincide com uma ligação histórica de 2h30 entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin, descrita por ambos os lados como “produtiva”. Os líderes discutiram um cessar-fogo amplo de 30 dias, incluindo a suspensão de ataques a infraestruturas energéticas. Putin, porém, exigiu mecanismos de verificação robustos e o fim do rearmamento ucraniano — condições rejeitadas por Kiev, que violou o acordo horas depois ao atacar uma usina na Rússia.
Analistas veem a retomada da ajuda como uma jogada dupla: enquanto Trump busca projetar força antes das eleições de 2025, a Ucrânia tenta recompor suas tropas desgastadas. Mas o fantasma do conflito Trump-Zelensky persiste: sem apoio incondicional, Kiev dança na corda bamba entre a guerra e a diplomacia.

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