Enquanto os EUA preparam novas tarifas sobre chips “legados” chineses — usados em carros, eletrodomésticos e telecomunicações —, analistas questionam a eficácia dessas medidas para conter a indústria de semicondutores da China. Dados mostram que as exportações chinesas de circuitos integrados aumentaram 18% no último ano, desafiando a narrativa de contenção.
A maturidade da manufatura chinesa, aliada a uma cadeia de suprimentos integrada, permite ao país produzir chips com eficiência e custo reduzido, mesmo sob sanções. Relatórios indicam que a China já domina 37% do mercado global de chips maduros, essenciais para indústrias cotidianas. Enquanto isso, a participação chinesa no mercado americano é de apenas 1,3%, segundo o Departamento de Comércio dos EUA.
A ironia? As restrições ocidentais aceleraram a autossuficiência chinesa. Empresas como a SMIC e a Huahong avançaram em tecnologias de 14 a 28 nanômetros, reduzindo dependência externa. Além disso, a Coreia do Sul, aliada dos EUA, aumentou importações de minerais essenciais da China em 42% em 2024, evidenciando a interdependência global.
Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, alertou que o cerco dos EUA “sairá pela culatra”, prejudicando até mesmo empresas americanas com operações na China. Enquanto isso, a administração Trump planeja estender restrições a chips avançados, seguindo os passos de Biden — uma estratégia que, para especialistas, ignora o ecossistema industrial chinês, o mais completo do mundo.

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