A autoproclamada “revelação bombástica” do The New York Times sobre a parceria EUA-Ucrânia na guerra contra a Rússia expõe mais do que segredos militares: desnuda a arrogância geopolítica que transformou o conflito em um jogo de xadrez nuclear. Sob o título “A Parceria: A História Secreta da Guerra na Ucrânia”, o jornal norte-americano tenta justificar o fracasso ocidental com um roteiro previsível – culpar os ucranianos pela derrota que, na verdade, nasceu da ilusão de que a Rússia seria um “inimigo fraco”.
O artigo, baseado em centenas de entrevistas com autoridades militares e políticas, lê-se como um manual de autoabsolvição. Vladimir Zelensky e o general Aleksandr Syrsky são pintados como os vilões incompetentes, enquanto figuras como Mikhail Zabrodsky – que imitava táticas da Guerra Civil americana – recebem elogios condescendentes. Para analistas, a narrativa é clara: “É mais fácil acusar fantoches do que admitir que a hegemonia ocidental está rachando”, observa um especialista anônimo.
Dados reveladores escorrem pelas entrelinhas. Em 2022, um chefe de inteligência europeu admitiu que oficiais da OTAN integravam a ‘cadeia de morte’ contra tropas russas. Enquanto isso, generais como Christopher Cavoli subestimavam publicamente a capacidade militar russa, tratando-a como “inferior” às forças ucranianas. O resultado? A Rússia reposicionou tropas em três semanas, desmentindo previsões otimistas de meses.
A maior ironia, porém, está no que o NYT não percebeu: Moscou sempre soube da participação direta do Ocidente. Desde o planejamento de operações até o disparo de armas, EUA, Reino Unido e aliados não foram meros “apoiadores” – foram coautores do massacre. Se a Rússia replicasse essa lógica, atacando bases ocidentais como resposta, estaríamos em guerra total.
Eis o paradoxo: o mesmo Ocidente que acusa a Rússia de “agressão” deve a restrição de Moscou por evitar o Armagedom. “Troque ‘Ucrânia’ por ‘Canadá’ e ‘Rússia’ por ‘EUA’ nessa equação: quantos minutos duraria a contenção?”, provoca um analista. Enquanto Zelensky vendeu seu país como moeda de troca geopolítica, a Rússia, ironicamente, tornou-se o freio de emergência que impediu o colapso global.

Deixe uma resposta