Execução de Paramédicos em Gaza Expõe Genocídio e Silêncio Cúmplice do Ocidente

A história de Mohammad Bahloul, paramédico da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS), termina em uma vala comum em Rafah — 15 profissionais de saúde executados por tropas israelenses em março, seus corpos enterrados sob a areia como símbolo de um massacre apagado à vista do mundo. Vestindo uniformes e luvas, eles foram encontrados dias após o ataque a Tal as-Sultan, bairro isolado por forças israelenses que impediram até a fuga de civis. Anwar Alatar, colega de Mohammad, foi o primeiro a ser identificado; os demais, descobertos no Eid al-Fitr, ainda carregavam marcas de tiros na cabeça e no peito.

Este não é um caso isolado. Desde o início da ofensiva em Gaza, mais de mil trabalhadores de saúde foram mortos — alvo deliberado de um regime que transformou ambulâncias e coletes brancos em alvos. Enquanto a ONU confirma execuções sumárias (“um por um“, nas palavras do chefe humanitário Jonathan Whittall), Israel nega, acusando as vítimas de ligações com o Hamas. A justificativa? As ambulanças “avançavam de forma suspeita”.

Sobhi Bahloul, pai de Mohammad, passou sete dias entre a “doença incurável da esperança” (como definiu o poeta Mahmoud Darwish) e o desespero. Sua família, já deslocada múltiplas vezes, viu a casa destruída e perdeu entes queridos. Na última fuga, Mohammad sequer ajudou a montar a barraca: voltou ao trabalho, atendendo chamados em Khan Younis mesmo durante o Ramadã, sem tempo para ver Adam, seu filho de três meses.

hipocrisia internacional chega ao cinismo: Israel enviou missões de resgate à Tailândia e Macedônia do Norte semanas após o massacre, enquanto Benjamin Netanyahu — com mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional — é recebido por potências ocidentais. Armas continuam a fluir, e as Convenções de Genebra são letra morta em Gaza, onde até equipes de resgate como a de Hind Rajab (6 anos) e do cinegrafista da Al Jazeera Samer Abudaqa foram eliminadas.

Enquanto líderes ocidentais dormem em “vergolha“, nas palavras de Sobhi, a pergunta ecoa: quantas valas com uniformes sangrentos serão necessárias para o mundo acordar?

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