Durante sua votação para manter sob custódia os três suspeitos do assassinato de Marielle Franco, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, insinuou que o desenrolar desse episódio pode desencadear novas investigações dentro do que ele descreveu como um “ecossistema criminoso” no estado do Rio de Janeiro.
Dino foi um dos membros da 1ª Turma do STF que endossou as detenções dos acusados e outras medidas preventivas determinadas pelo Ministro Alexandre de Moraes e efetuadas neste domingo, (24).
“Uma análise minuciosa dos documentos legais sugere a possibilidade de um ecossistema criminal genuíno dentro de uma unidade federativa, o que pode resultar na continuação das investigações, em um ou mais inquéritos policiais, a critério das autoridades competentes. Tal cenário justifica as medidas cautelares impostas, visando garantir a devida aplicação da lei em relação aos investigados”, afirmou Dino em sua declaração.
A observação de Dino é notável, pois ele ocupou o cargo de Ministro da Justiça até o início deste ano e estava envolvido nas investigações sobre o caso, as quais ganharam impulso renovado após a posse do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dino, inclusive, anteriormente prometeu que o caso seria esclarecido durante sua gestão como Ministro da Justiça.
A Polícia Federal (PF) encerrou oficialmente a investigação sobre os responsáveis pelo assassinato da ex-vereadora do PSOL, sugerindo que Ronnie Lessa pode ter fornecido informações cruciais sobre outros crimes ocorridos no Rio de Janeiro durante sua cooperação, cujos detalhes permanecem sob sigilo.
A 1ª Turma do STF já possui maioria para endossar a decisão de Alexandre de Moraes, que está sendo submetida ao colegiado para julgamento virtual iniciado nesta segunda-feira. Os três indivíduos suspeitos de serem os mandantes são o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ), e Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio. No caso de Chiquinho Brazão, sua detenção, por ser membro do Congresso, requer aprovação do plenário da Câmara dos Deputados.

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