Movimentos Populares e de Independência Ganham Força nas Eleições em Porto Rico

As eleições de 5 de novembro em Porto Rico marcam um momento decisivo na política local, com uma disputa inédita entre forças pró-independência, status comum e pró-estadualidade. Pela primeira vez, o Partido Independentista Portorriquenho (PIP) lançou um candidato a governador com potencial competitivo contra os candidatos do Partido Novo Progressista (PNP), que defende a anexação como estado, e o Partido Popular Democrático (PPD), que apoia o status de estado livre associado. Tradicionalmente, PNP e PPD controlam a política portorriquenha há décadas.

No dia 6 de novembro, com 91 seções eleitorais apuradas, Jenniffer González, do PNP, liderava a contagem de votos com 39%. O candidato do PIP, Juan Dalmau, aparecia logo atrás com 33%, seguido por Jesús Manuel Ortiz, do PPD, com 21%, enquanto o conservador Javier Jiménez, do Projeto Dignidade, alcançava 7% dos votos.

Já na eleição para comissário residente, cargo que representa Porto Rico no Congresso dos EUA sem direito a voto, o candidato do PPD liderava com 44,4% dos votos, seguido pelo candidato do PNP com 35,7% e por Ana Irma Rivera Lassén, do Movimento Victoria Cidadã (MVC), com 9,5%.

Os resultados destacam uma mudança de cenário político. Em 2012, os candidatos do PNP e do PPD somavam 95% dos votos; esse percentual caiu para 81% em 2016 e 65% em 2020. Rafael Bernabe, ex-candidato a governador pelo Partido dos Trabalhadores, vê essa tendência como um sinal de esgotamento dos dois partidos tradicionais.

Desde 2020, o PIP tem ampliado sua base eleitoral, passando de uma média de 2% dos votos para 13,5%. Esse crescimento se deve, em parte, a uma nova estratégia de aliança: o PIP e o MVC uniram forças em 2023 sob a chamada Aliança pelo País, desafiando a proibição de coalizões eleitorais imposta pelos EUA. Assim, os partidos lançam candidatos para todos os cargos, mas apenas um deles efetivamente busca votos em cada disputa. Dalmau, por exemplo, recebe o apoio dos eleitores do MVC, enquanto Rivera Lassén é apoiada pelos eleitores do PIP.

Fundado em 2019, o MVC defende uma “Agenda Urgente” para a reconstrução social, ambiental e econômica de Porto Rico, propondo também a descolonização. Em 2020, seu candidato a governador obteve 14% dos votos. O PIP, por sua vez, mantém desde 1946 a bandeira da soberania portorriquenha, com um forte apelo por reformas sociais. A Aliança pelo País visa combater a corrupção que, segundo os dois partidos, contamina tanto o PNP quanto o PPD.

Tanto o PIP quanto o MVC defendem a convocação de uma “assembleia constitucional de status” para definir o futuro político de Porto Rico, considerando as opções de independência, estadia como estado e associação livre com os EUA. Rafael Bernabe enfatiza que “o processo de autodeterminação deve começar conosco.”

A transformação política em Porto Rico é resultado de décadas de degradação econômica. Na década de 1990, a retirada de incentivos fiscais dos EUA levou ao fechamento de empresas e ao aumento da dívida pública. Em 2016, o governo federal criou a Junta de Supervisão Fiscal, impondo austeridade e privatizações. A destruição causada pelo furacão Maria em 2017 e os problemas persistentes na infraestrutura elétrica agravaram a crise.

Um recente relatório do New York Times descreve uma ilha “em ruínas,” com escolas fechadas, estradas deterioradas, cortes no orçamento das universidades, um sistema de saúde em colapso e apagões frequentes.

O analista Jenaro Abraham, da NACLA, afirma que a “Aliança pelo País” reflete uma longa luta contra a influência colonial dos EUA, que tem impulsionado os movimentos anti-coloniais a trabalharem juntos para enfrentar o poder bipartidário pró-colonial no governo portorriquenho.

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