Laurent Vinatier, pesquisador de uma organização de mediação de conflitos, foi detido por violar a lei de ‘agentes estrangeiros’ da Rússia.
A Rússia afirmou que o pesquisador francês Laurent Vinatier admitiu acusações criminais relacionadas à coleta de informações militares sensíveis.
O Comitê de Investigação da Rússia declarou na quarta-feira que Vinatier se declarou culpado durante o interrogatório por não se registrar como agente estrangeiro enquanto coletava ilegalmente informações militares sensíveis. O pesquisador francês foi preso pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) no mês passado, juntando-se a uma lista crescente de cidadãos ocidentais detidos por Moscou.
“O cidadão francês se declarou culpado em um caso criminal de coleta ilegal de informações na área das atividades militares russas”, afirmou o Comitê de Investigação em um comunicado. “Durante o interrogatório, ele admitiu sua culpa integralmente.”
Ampliando as preocupações ocidentais, o FSB afirmou que Vinatier, que trabalhava há muito tempo na Rússia para a ONG Centro para o Diálogo Humanitário (HD), havia “coletado informações de natureza militar e técnico-militar que poderiam ser usadas em detrimento da segurança da Federação Russa”.
As acusações contra ele podem resultar em uma sentença de até cinco anos de prisão, segundo relatórios.
‘Propaganda’
A detenção do pesquisador de 47 anos ocorreu em meio a tensões crescentes entre Moscou e Paris, com o presidente francês Emmanuel Macron adotando uma postura dura em relação à guerra na Ucrânia.
Após a prisão, Macron insistiu que o funcionário do grupo suíço de mediação de conflitos HD nunca havia trabalhado para o estado francês e exigiu sua liberação imediata, chamando a “propaganda” contra ele de “não condizente com a realidade”.
No entanto, um tribunal determinou sua custódia preventiva até 5 de agosto.
A Rússia não acusou publicamente Vinatier de trabalhar com qualquer agência de inteligência estrangeira ou de se envolver diretamente em espionagem.
No entanto, as autoridades já prenderam pessoas anteriormente por violar a lei de “agentes estrangeiros” antes de acusá-las de crimes mais graves. O Comitê de Investigação afirmou que sete testemunhas, de quem Vinatier tentou coletar informações militares, foram interrogadas. “Uma perícia linguística forense foi agendada com base em gravações de áudio dessas reuniões”, afirmou o comitê em seu comunicado.
Após a prisão de Vinatier, o HD declarou: “No curso das atividades do HD como uma organização de mediação imparcial e independente, nossos funcionários trabalham ao redor do mundo e rotineiramente se encontram com uma ampla gama de autoridades, especialistas e outras partes com o objetivo de avançar nos esforços para prevenir, mitigar e resolver conflitos armados.”
‘Diplomacia de Reféns’
De acordo com a legislação russa, pessoas que coletam, relatam ou compartilham informações sobre os militares ou serviços de segurança da Rússia devem se registrar como “agentes estrangeiros”.
Críticos dizem que a legislação tem sido usada para reprimir a dissidência. Seu uso aumentou desde que o Kremlin iniciou a guerra contra a Ucrânia em fevereiro de 2022.
A jornalista americano-russa Alsu Kurmasheva foi presa no ano passado por não se registrar como “agente estrangeiro”. Acusações mais sérias de espalhar informações falsas sobre as forças armadas foram feitas contra ela desde então.
Vários outros cidadãos ocidentais foram presos na Rússia desde o início da guerra na Ucrânia, levando as relações ao seu ponto mais baixo desde o auge da Guerra Fria.
O jornalista americano Evan Gershkovich, preso em março de 2023 sob acusações de espionagem, foi a julgamento a portas fechadas no mês passado. Vários outros cidadãos americanos foram presos recentemente.
Entre as detenções de maior destaque está a do executivo de segurança americano Paul Whelan, preso em Moscou por espionagem em 2018. A cidadã russo-americana Ksenia Karelina foi julgada por alta traição no mês passado após doar $50 para uma instituição de caridade ucraniana.
A Rússia indicou que está aberta à ideia de uma troca de prisioneiros envolvendo Gershkovich e outros, afirmando que contatos com os EUA já ocorreram.
Os EUA, por sua vez, acusaram a Rússia de praticar “diplomacia de reféns”.

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