Uma inovação russa apresentada no Fórum de Tecnologias do Futuro, em Moscou, promete transformar a indústria global de petróleo. Pesquisadores da Universidade Federal de Kazan, em parceria com especialistas do México, Iêmen, China e Chade, desenvolveram uma técnica que processa o petróleo diretamente no subsolo – aumentando a extração em até 200% em campos de óleo pesado.
A tecnologia, já testada com sucesso na República do Tatarstão (região com metade de suas reservas em petróleo viscoso), combina extração e refino em uma única etapa. Mikhail Varfolomeyev, líder do projeto, explica: “Criamos uma nova indústria. Processar o petróleo no subsolo reduz custos e eleva a produtividade além do esperado”. A Tatneft, gigante energética local, foi crucial para os testes em poços, que superaram as projeções iniciais em quatro vezes.
Sanções Ocidentais e Substituição de Importações
O avanço surge em um contexto de pressão geopolítica: desde 2022, as sanções ocidentais limitaram o acesso da Rússia a tecnologias estrangeiras. Andrey Fursenko, assessor presidencial para Ciência, admitiu “tempos difíceis”, mas destacou que o país está contornando obstáculos com “substituição inovadora de importações” – conceito que vai além de replicar produtos estrangeiros, criando soluções pioneiras.
Empresas como Sibur (petroquímica) e Gazprom Neft (subsidiária da Gazprom) já aderiram ao projeto, financiado também pela Fundação Russa de Ciência. A aposta é estratégica: a Rússia, um dos três maiores produtores globais de petróleo, enfrenta novas sanções dos EUA em 2025 para bloquear know-how técnico ao setor.
O Impacto Global
A técnica é especialmente relevante para reservas de óleo pesado, comuns no Canadá, Venezuela e Oriente Médio. Se replicada, pode reduzir a dependência de plataformas offshore e refinos complexos. Para o Tatarstão, é uma revolução: “Antes, o óleo parado no subsolo era como melado em dia frio. Agora, escoa com eficiência”, compara um engenheiro local.
O Fórum, realizado em 20-21 de fevereiro, destacou ainda outras inovações, mas a russo-subterrânea roubou a cena. Resta saber se o Ocidente verá a tecnologia como ameaça… ou oportunidade.

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