Em meio a um cenário tumultuado, marcado por repressão policial a manifestantes na Assembleia Legislativa de São Paulo, o controverso projeto de lei que autoriza a privatização da Sabesp foi aprovado na noite desta quarta-feira. Sob a autoria do governador Tarcísio de Freitas, a medida visa atrair investimentos, mas vozes críticas, como a do especialista em saneamento Amauri Pollachi, alertam para os possíveis riscos, incluindo aumento de tarifas e impactos no abastecimento de água.
Riscos Financeiros e a Promessa de Economia Questionável
O governador defende a privatização como uma estratégia para impulsionar investimentos na Sabesp. Contudo, Amauri Pollachi, conselheiro do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, desafia essa narrativa. Ele destaca que a empresa, ao gozar de uma saúde econômica sólida e classificação de risco favorável, obtém financiamentos a taxas vantajosas, enquanto a iniciativa privada enfrentaria custos adicionais ao buscar taxas de mercado.
Aprovado com Tumulto: Uma Votação Controversa
A votação, que contou com 62 votos favoráveis à concessão à iniciativa privada e apenas um voto contrário, revelou uma divisão expressiva. A deputada Delegada Graciela foi a única a se opor, enquanto a oposição, indignada com a repressão policial, optou por não participar da votação, alegando condições desfavoráveis.
Repressão e Caos: Manifestações Marcam o Momento Decisivo
O ápice da tensão ocorreu com a intervenção da Polícia Militar, que dispersou os manifestantes com gás pimenta e cassetetes. A ação desmedida resultou na interrupção da sessão por uma hora e meia. Pollachi, ao comentar o episódio, classificou a repressão como “absurda” e “completamente desmedida”, observando a presença de protestantes desarmados e a atmosfera insustentável causada pelo gás de pimenta.
Perspectivas de Aumento de Tarifas: Um Cenário Possível?
Entre os temores relacionados à privatização está a possível elevação das tarifas de água. Pollachi alerta que, frequentemente, a iniciativa privada não realiza os investimentos planejados, justificando reajustes expressivos nas tarifas como uma necessidade. Esse cenário, se concretizado, poderia afetar milhares de moradores de São Paulo.

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