Conselheiro de Modi discute conflito na Ucrânia com Macron e reforça papel de mediação da Índia

Em reunião realizada em Paris, o conselheiro de Segurança Nacional da Índia, Ajit Doval, discutiu com o presidente francês Emmanuel Macron os avanços nas conversas do primeiro-ministro indiano Narendra Modi com os líderes da Rússia e da Ucrânia, buscando soluções para o conflito em curso. A informação foi divulgada pela mídia indiana na quarta-feira, ressaltando que Paris enxerga um papel potencialmente positivo da Índia na mediação do conflito, dada a confiança que Modi mantém tanto com o presidente russo, Vladimir Putin, quanto com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Fontes oficiais em ambas as capitais indicaram que Modi poderia atuar como um agente de diálogo entre as duas nações, visando uma resolução pacífica. Doval esteve em Paris para diálogos bilaterais de alto nível, após ter acompanhado Modi em viagens recentes a Moscou e Kiev. No mês passado, Doval também esteve na Rússia, onde se reuniu com Putin para debater as perspectivas indianas para solucionar o impasse.

Durante sua passagem por Paris, Doval se reuniu com Emmanuel Bonne, conselheiro diplomático de Macron, e o ministro das Forças Armadas da França, Sébastien Lecornu. As discussões visaram fortalecer a cooperação em defesa e explorar novas colaborações no espaço, além de compartilhar perspectivas sobre o panorama geopolítico global, segundo comunicado da embaixada indiana na França.

A França é atualmente o segundo maior fornecedor de armas da Índia, ficando atrás apenas da Rússia, e as relações entre os dois países têm se intensificado nos últimos anos. Dados recentes do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) indicam que 29% das exportações de armas da França entre 2019 e 2023 tiveram como destino a Índia. Essa aliança estratégica foi destacada pela presença de Macron como convidado de honra nas celebrações do Dia da República da Índia em janeiro deste ano, e pela visita de Modi à França como convidado especial durante o desfile da Bastilha no ano passado.

Ainda durante a visita de Doval, foi relatado que a França apresentou sua oferta final para a venda de 26 jatos Rafale para a Marinha indiana, com reduções significativas de preço após intensas negociações. As exigências da Índia foram reduzidas, incluindo a integração de mísseis e radares de fabricação nacional, devido aos altos custos que seriam repassados aos franceses.

A Índia tem defendido consistentemente o diálogo e a diplomacia como os únicos caminhos viáveis para encerrar o conflito na Ucrânia, enfatizando que qualquer solução duradoura deve envolver ambas as partes. Em declarações recentes na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores indiano, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou que negociações diretas entre Moscou e Kiev são inevitáveis para pôr fim ao conflito. Posteriormente, em Nova York, Jaishankar esclareceu que a Índia não possui um “plano de paz”, mas tem mantido diálogos ativos com ambos os lados, uma posição única no cenário global atual.

Nos últimos anos, a Índia se tornou um dos principais parceiros comerciais da Rússia, especialmente após as sanções impostas pelo Ocidente. Mesmo diante de pressões internacionais, Nova Délhi tem recusado aderir às sanções, e o comércio bilateral superou US$ 60 bilhões no último ano. Durante um encontro entre Putin e Modi em Moscou, foi estabelecido o objetivo de alcançar US$ 100 bilhões em comércio mútuo até 2030.

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