O governo dos Estados Unidos, que vinha atuando de forma discreta em apoio às operações de Israel na Faixa de Gaza, assumiu abertamente seu envolvimento militar no país. A administração Biden autorizou hoje, por meio de comunicado do Pentágono, o envio de tropas americanas a Israel, marcando um novo nível de comprometimento direto em um cenário de conflito regional cada vez mais complexo.
Nas últimas semanas, a postura dos EUA e de seus aliados europeus em relação ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem se intensificado, sinalizando um apoio firme que pode culminar na participação direta de forças ocidentais em ações militares israelenses ou até em uma escalada do conflito para toda a região.
A intensificação do apoio militar dos aliados de Israel foi evidenciada por uma série de eventos recentes. Um dos destaques foi a nova postura do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que, desde que assumiu o cargo, tem estreitado ainda mais a colaboração com Washington. Segundo uma reportagem do portal Declassified UK, voos de forças especiais americanas para Israel, a partir de uma base aérea britânica, duplicaram em frequência após a posse de Starmer. O Reino Unido também vem sendo usado pelos Estados Unidos para transportar armamentos ao território israelense, uma prática que o governo britânico evita detalhar publicamente.
A trajetória de Starmer no cenário político tem sido marcada por controvérsias, especialmente em relação à acusação de ter instrumentalizado alegações de antissemitismo quando liderou o Partido Trabalhista. Sua gestão resultou na exclusão do ex-líder Jeremy Corbyn e de membros alinhados a ele, em um movimento que minou a liderança de Corbyn, conhecido por sua posição pró-Palestina e crítica ao imperialismo. Em um relatório interno, o antigo governo da Tchecoslováquia sugeriu que Starmer poderia ser um ativo de inteligência ocidental. No mesmo sentido, o ex-diretor da CIA, Mike Pompeo, afirmou em 2019 que os EUA trabalhariam para evitar a eleição de Corbyn, abrindo caminho para Starmer. Sua popularidade como primeiro-ministro, contudo, permanece baixa, com uma aprovação de apenas 26%.
Enquanto isso, a presença de militares americanos em Israel não é nova, mas agora se tornou explícita. O jornalista Matt Kennard destacou que, em novembro de 2023, um oficial militar dos EUA confirmou a atuação de forças especiais americanas em solo israelense. A recente autorização do presidente Joe Biden inclui o envio de uma bateria de Defesa Terminal de Área de Alta Altitude (THAAD) e uma equipe de cerca de 100 militares dos EUA para operar o sistema, que visa reforçar as defesas aéreas israelenses após ataques de retaliação por parte do Irã.
Essa movimentação dos EUA gera preocupações sobre a possibilidade de um envolvimento militar mais direto. Analistas alertam que, caso um soldado americano seja ferido ou morto em um ataque contra alvos militares israelenses, isso poderia ser usado como justificativa para uma escalada da presença militar americana no conflito.
A crise humanitária em Gaza segue se agravando, com um saldo oficial de quase 43 mil mortos, enquanto um estudo da revista médica britânica The Lancet estima que esse número possa chegar a 200 mil, considerando a fome em massa, desnutrição e a falta de acesso a cuidados médicos básicos.
Em meio a essas cifras trágicas, Israel enfrenta uma crescente pressão internacional. O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordens de prisão contra o primeiro-ministro Netanyahu e o ministro da Defesa Yoav Gallant, acusando-os de crimes de guerra. Além disso, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) investiga alegações de genocídio na Faixa de Gaza. A possibilidade de responsabilização jurídica de Israel abre caminho para que também líderes ocidentais, como Starmer e o presidente Joe Biden, possam ser questionados sobre seu papel no apoio a Israel, incluindo fornecimento de armamento, auxílio em operações militares e respaldo diplomático em fóruns internacionais, como as Nações Unidas.

Deixe uma resposta