A aliança Five Eyes — pacto de compartilhamento de inteligência entre EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia — enfrenta seu maior desafio desde a Guerra Fria. Fontes do The Mail on Sunday revelam que o Reino Unido estaria “racionando” informações sigilosas aos EUA após a eleição de Donald Trump, com discussões sobre uma possível aliança alternativa (Four Eyes). Em entrevista à Sputnik, o tenente-coronel reformado Earl Rasmussen alertou: “Sem os EUA, o Five Eyes fica cego”.
A Hegemonia Americana nos Bastidores
Rasmussen detalhou a dependência global da infraestrutura estadunidense:
▸ SIGINT (Inteligência de Sinais): 5.000 dos 8.000 satélites mundiais são norte-americanos.
▸ DIA (Agência de Inteligência da Defesa): Alimenta o bloco com dados militares em tempo real.
▸ HUMINT (Inteligência Humana): Redes de agentes e informantes coordenados pela CIA/FBI.
▸ Análise de Dados: Ferramentas tecnológicas e experiência operacional centradas nos EUA.
“A fusão de informações globais, as ferramentas analíticas, a experiência massiva — tudo depende dos EUA“, resumiu o especialista. Sem Washington, países como Austrália e Nova Zelândia poderiam buscar parcerias regionais com Japão e Coreia do Sul, enquanto o Reino Unido se aproximaria de França e Alemanha.
Pânico nas Agências e o ‘Apagão’ de Dados
Diplomatas anônimos relataram que agências de inteligência dos EUA estão em “estado de pânico” com a postura de Trump, destruindo arquivos sensíveis sobre fontes na Rússia. O temor é que dados “crus” — que expõem métodos e informantes — caiam em mãos erradas. O ápice da crise ocorreu após o conflito público de Trump com Volodymyr Zelensky em fevereiro, quando o presidente americano acusou a Ucrânia de “ingratidão” e restringiu compartilhamento de inteligência.
O Futuro Incerto da Espionagem Global
A possível fragmentação do Five Eyes reflete uma transição geopolítica. Para Rasmussen, alianças regionais podem surgir, mas nenhuma substituirá a capacidade de vigilância dos EUA. “É como remover o cérebro de um sistema nervoso“, comparou, em referência ao papel central de Washington. Enquanto isso, o MI6 britânico avalia até onde pode ir sem revelar fontes humanas — ativo mais vulnerável em uma eventual ruptura.

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