Avaliações estão em curso hoje para examinar a proposta de reajuste apresentada pelo governo federal aos representantes dos professores das universidades públicas, que permanecem em greve. Cada instituição realizará sua assembleia e até quinta-feira (25) uma decisão coletiva será comunicada ao Executivo.
Segundo Gustavo Seferian, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), em entrevista ao ICL Notícias, tudo indica que a proposta será rejeitada e a paralisação continuará.
“A resposta recebida está significativamente aquém das expectativas dos professores”, declara Seferian. “A remuneração dos professores segue sem qualquer perspectiva de recomposição em 2024, mantendo-se inalterada. A proposta contempla apenas 2025 e 2026, com aumentos de 9% em janeiro de 2025 e 3,5% em maio de 2026”.
O sindicalista critica o governo por ignorar a perda de poder de compra enfrentada pelos professores este ano, além de destacar que o modesto aumento proposto para os servidores públicos federais não abrange os aposentados, que representam a maioria da categoria.
A contraproposta dos grevistas era um reajuste de 7,06% para cada um dos próximos três anos: 2024, 2025 e 2026.
O Andes-SN possui 150 mil professores filiados, mas Seferian prefere não estimar a adesão à greve. Ele informa que, das 69 universidades federais, 32 estão participando da paralisação.
Quanto às críticas à greve durante o governo Lula, em comparação com o governo Bolsonaro, Seferian rebate:
“Essa é uma mentira repetida tantas vezes que alguns a consideram verdade. Quem afirma isso não está engajado na luta sindical. Desde o golpe de 2016, realizamos grandes movimentos nacionais, incluindo a maior greve da história do Andes-SN. No bolsonarismo, não foi diferente. Resistimos vigorosamente aos cortes na Educação de Bolsonaro, promovendo o ‘tsunami na Educação’ em 2019. Em 2020, planejávamos uma paralisação em março, mas fomos impactados pela pandemia”.
O sindicalista lembra que o Andes-SN apoiou Lula na eleição de 2022, mas critica o governo atual por direcionar recursos a banqueiros e à dívida pública, em detrimento dos servidores da Educação.
A justificativa do governo para negar o reajuste este ano é a “falta de espaço orçamentário”, algo que Seferian contesta como falta de vontade política.
“A mobilização está crescendo e esperamos que mais instituições se juntem, pressionando o governo a apresentar uma proposta mais próxima das nossas expectativas”, conclui. “Ninguém deseja prolongar uma greve indefinidamente, mas só terminará com uma resposta efetiva”.

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