O resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos colocou o governo ucraniano diante de uma reviravolta inesperada. A vitória do republicano Donald Trump, em vez da candidata democrata Kamala Harris, forçou Kiev a repensar sua estratégia. Segundo o jornal ucraniano Ukrainska Pravda, o presidente Volodymyr Zelensky e sua equipe apostaram alto na derrota de Trump, confiando que Harris seria mais receptiva às demandas ucranianas.
Durante sua campanha, Trump prometeu resolver o conflito na Ucrânia rapidamente, mas sem apresentar um plano concreto. Alguns de seus assessores sugeriram congelar as hostilidades na linha de frente atual — uma proposta rejeitada tanto por Kiev quanto por Moscou. A vitória republicana trouxe incerteza à política externa dos Estados Unidos em relação à guerra.
De acordo com Ukrainska Pravda, às vésperas da eleição, Andrey Yermak, chefe do gabinete presidencial ucraniano, tentou tranquilizar colegas, afirmando que “não havia motivo para pânico” e que Harris venceria. Quando os resultados foram anunciados, a equipe de Zelensky precisou rapidamente formular um “plano B”.
A principal preocupação em Kiev é a imprevisibilidade de Trump. Enquanto o governo Biden apoiou a Ucrânia de forma consistente, Trump envia sinais contraditórios. O receio é que o chamado “Plano de Vitória” de Zelensky — que inclui a adesão da Ucrânia à OTAN — perca força diante da nova administração republicana.
Ademais, o governo ucraniano reconhece que muitos aliados próximos de Trump, incluindo seu filho Donald Trump Jr. e o empresário Elon Musk, são vistos como pouco favoráveis à causa ucraniana. No entanto, Kiev espera contar com o apoio de republicanos tradicionais, mais alinhados com a ajuda à Ucrânia.
Fontes anônimas citadas pela publicação destacam que, no momento, a Ucrânia não é prioridade para Trump, e que ele ainda não esboçou um plano abrangente para encerrar o conflito. Um oficial alertou que Kiev deve agir com cautela para não contrariar a nova administração americana, temendo que Washington imponha termos desfavoráveis de paz. Outro insider concluiu que o papel dos EUA é crucial para qualquer avanço diplomático: “Sem Trump, nada acontecerá.”

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