Durante a audiência de confirmação no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, Elise Stefanik, escolhida pelo ex-presidente Donald Trump para representar os Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), reiterou seu compromisso em fortalecer a defesa de Israel e promover a agenda “America First”.
Stefanik declarou que Israel tem um “direito bíblico” sobre a Cisjordânia ocupada, alinhando-se a figuras da extrema-direita israelense, como os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir. Questionada pelo senador democrata Chris Van Hollen, ela respondeu de forma categórica: “Sim.”
Ao ser indagada sobre o direito à autodeterminação dos palestinos, Stefanik evitou responder diretamente. “Acredito que o povo palestino merece muito mais do que os fracassos que teve de líderes terroristas. É claro que eles merecem direitos humanos”, afirmou.
Compromisso com a política “America First”
Stefanik destacou que, caso sua indicação seja confirmada, irá revisar o financiamento dos EUA para a ONU e suas agências, além de combater a influência da China na organização. Ela também reforçou seu apoio incondicional a Israel, prometendo intensificar a postura de defesa do país no cenário internacional.
A posição de Stefanik marca uma ruptura em relação à abordagem adotada pela administração Biden, que, embora tenha apoiado Israel em diversas ocasiões, criticou a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada, considerados ilegais segundo o direito internacional.
Durante o primeiro mandato de Trump, os EUA retiraram uma política de quatro décadas que classificava a expansão de assentamentos na Cisjordânia como ilegal. Além disso, na última segunda-feira, Trump anulou sanções implementadas durante a era Biden contra grupos de colonos israelenses acusados de violência contra palestinos.
Histórico e controvérsias
Stefanik é conhecida por seu fervoroso apoio a Trump e sua atuação destacada em 2023, quando confrontou presidentes de universidades renomadas, como Harvard e MIT, sobre alegações de antissemitismo nos campi. Esse episódio resultou na renúncia de dois líderes universitários e amplificou sua notoriedade política.
Em sua fala de abertura, Stefanik se autodenominou “líder no combate ao antissemitismo na educação superior” e destacou que sua atuação no Congresso gerou uma das audiências mais vistas da história, assistida “bilhões de vezes”.
Ela também criticou duramente a ONU, acusando a organização de “podridão antissemita” e prometeu conduzir uma revisão completa de todas as subagências da instituição para garantir que “cada dólar sirva aos interesses americanos”. Stefanik afirmou que se oporá a qualquer financiamento dos EUA para a Agência de Socorro e Trabalhos para os Refugiados da Palestina (UNRWA), cuja atuação tem sido fundamental para atender a população palestina na Cisjordânia e em Gaza.
Apesar das críticas de especialistas da ONU, que classificaram as ações de Israel em Gaza como “coerentes com genocídio”, Stefanik defendeu o país, chamando-o de “farol de direitos humanos na região”.
Mudança na política externa
A indicação de Stefanik é vista como um reflexo da política mais dura que o governo Trump pretende adotar em seu retorno à Casa Branca. Na mesma semana, Marco Rubio, escolhido para ser o novo secretário de Estado, tomou posse, consolidando a formação da equipe que promete adotar uma postura firme no cenário internacional.

Deixe uma resposta