EUA buscam fim definitivo para conflito no Líbano “o mais rápido possível”

Enviado do presidente Biden, Amos Hochstein, lamenta destruição em Beirute enquanto ofensiva de Israel, apoiada pelos Estados Unidos, se intensifica.

O enviado especial dos Estados Unidos, Amos Hochstein, afirmou que Washington está empenhada em encerrar o conflito no Líbano “o mais rápido possível”, ressaltando que busca uma solução duradoura para a crise, mas sem detalhar a estratégia diplomática em andamento.

Após uma reunião na segunda-feira com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, Hochstein indicou que os esforços de cessar-fogo estão focados na implementação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pôs fim ao conflito entre Hezbollah e Israel em 2006. Essa resolução determina que as forças armadas libanesas e os capacetes azuis da ONU sejam a única presença militar na área entre a fronteira israelense e o rio Litani, cerca de 30 km ao norte.

Hochstein destacou que a Resolução 1701 serviria como “base” para encerrar o atual conflito, mas enfatizou a necessidade de garantir sua aplicação, visando afastar os combatentes do Hezbollah da região fronteiriça com Israel. Segundo ele, os Estados Unidos estão colaborando com Líbano e Israel para encontrar uma “fórmula” que encerre o confronto de forma definitiva, abrindo caminho para uma “nova era de prosperidade”.

O diplomata ainda destacou que é fundamental que a resolução seja implementada de forma “justa, precisa e transparente”, de modo a garantir um entendimento claro de todos os envolvidos sobre o processo.

Proposta de Israel

Ainda não está claro se o Hezbollah aceitaria retirar suas forças das áreas de fronteira. A resolução de 2006, que encerrou as hostilidades entre o grupo e Israel, não previa mecanismos de aplicação significativos. A Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) tem um papel principalmente de observação e apoio ao exército libanês, sem mandato para confrontar diretamente o Hezbollah. O exército libanês, historicamente sub-equipado, também não se envolve em confrontos diretos com o grupo, que é representado no governo de Beirute.

De acordo com o site de notícias Axios, Israel teria apresentado suas condições para encerrar o conflito a Hochstein na semana passada, exigindo o direito de “fiscalização ativa” no Líbano e liberdade de atuação em seu espaço aéreo. Essas exigências, se confirmadas, violariam a Resolução 1701, que exige o “respeito total” da fronteira temporária entre Israel e Líbano, conhecida como Linha Azul.

O Líbano já registrou milhares de violações da 1701 por parte de Israel ao longo dos anos, incluindo invasões frequentes de suas águas territoriais e espaço aéreo.

Na segunda-feira, Hochstein recusou-se a comentar sobre a suposta proposta israelense, afirmando que está conduzindo a diplomacia “de forma reservada”. Berri, que é próximo ao Hezbollah, disse a veículos de comunicação libaneses que a reunião com Hochstein foi produtiva, mas que o que realmente importa são os resultados concretos.

Escalada de violência

Em outubro do ano passado, o Hezbollah iniciou ataques contra posições israelenses no norte de Israel, alegando pressionar o governo israelense a interromper sua campanha militar em Gaza. A violência resultou na fuga de dezenas de milhares de pessoas em ambos os lados da Linha Azul e permaneceu concentrada na região fronteiriça.

No entanto, no mês passado, Israel iniciou uma grande campanha de bombardeios e uma invasão terrestre no sul do Líbano, deslocando mais de 1,2 milhão de pessoas e transformando em escombros amplas áreas do país, incluindo partes dos subúrbios ao sul de Beirute. A ofensiva israelense conta com o total apoio dos Estados Unidos, mesmo diante de ataques a áreas civis em todo o Líbano.

“Lamentação” e contexto da guerra

Na segunda-feira, Hochstein, que tem histórico de serviço militar em Israel, declarou-se “entristecido” com a devastação no Líbano. Os EUA fornecem a Israel pelo menos US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) em assistência militar anualmente, e o presidente Joe Biden autorizou um pacote adicional de US$ 14 bilhões (aproximadamente R$ 70 bilhões) para apoiar a ofensiva israelense em Gaza, descrita por especialistas da ONU como genocídio.

Washington tem se recusado a condenar supostos abusos de Israel no Líbano, incluindo a destruição sistemática de cidades fronteiriças no sul do país. Hochstein sugeriu que o Hezbollah é responsável pela continuidade do conflito, uma vez que condiciona um cessar-fogo no Líbano ao fim da guerra israelense em Gaza.

“Quero ser muito claro: Vincular o futuro do Líbano a outros conflitos da região não estava e não está no interesse do povo libanês”, afirmou Hochstein a jornalistas.

Enquanto isso, o Hezbollah continua apoiando as negociações lideradas por Berri, mas prometeu não permitir o retorno dos moradores das cidades fronteiriças em Israel até que os conflitos em Gaza e no Líbano cheguem ao fim.

Nas últimas semanas, o Hezbollah sofreu golpes significativos, incluindo a morte de seu líder, Hassan Nasrallah, e de vários de seus principais comandantes. Mesmo assim, o grupo tem mantido a resistência, atacando as forças invasoras israelenses e lançando foguetes que atingem áreas profundas em Israel.

No último sábado, em uma ousada operação, o Hezbollah atacou com drones a residência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Cesareia, ao norte de Tel Aviv. Na segunda-feira, o grupo reivindicou dezenas de novos ataques contra posições israelenses, incluindo lançamentos de foguetes direcionados ao norte de Israel e às Colinas de Golã, ocupadas por Israel na Síria.

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