A retórica bélica entre Estados Unidos e Irã atingiu novos patamares nesta semana, com o Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei prometendo “resposta contundente” a qualquer ataque norte-americano. O alerta veio horas depois de Donald Trump, atual presidente dos EUA, ameaçar bombardear o país persa caso não aceite revisar seu programa nuclear.
Em entrevista à NBC News, Trump foi taxativo: “Se não fecharem um acordo, haverá bombardeios como nunca viram”. A declaração, reproduzida na íntegra por veículos internacionais, ecoa a estratégia de “max pressure” adotada durante seu primeiro mandato, quando retirou os EUA do Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA) e reinstaurou sanções que estrangularam a economia iraniana.
Khamenei respondeu em discurso transmitido por sua conta oficial no X (ex-Twitter): “Ameaças dos EUA e do regime sionista serão reciprocadas com golpes vigorosos”. Ele ainda insinuou que tentativas de desestabilização interna, como as registradas em protestos anteriores, seriam sufocadas “pela própria nação iraniana”.
O impasse remonta à decisão de Trump em 2018 de abandonar o JCPOA, que previa a redução do enriquecimento de urânio em troca de alívio econômico. Desde então, o Irã passou a produzir urânio enriquecido a 60%, conforme relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) — patamar próximo do necessário para armamentos (90%). Embora Teerã insista que seu programa é “pacífico e legal”, a comunidade internacional mantém desconfiança.
Em março, Trump enviou carta a Khamenei propondo retomar negociações, com prazo de dois meses para adesão. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian rejeitou diálogo direto, mas deixou aberta a porta para mediações indiretas, condicionadas à “reconstrução de confiança” — algo improvável, dado o histórico de rompimentos unilaterais.
Especialistas veem o cenário como “um jogo de xadrez geopolítico”, onde cada movimento calculado pode desencadear uma crise sem volta. Enquanto Trump aposta na intimidação, o Irã mobiliza sua postura de resistência assimétrica, capaz de retaliar por meio de proxies regionais.

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