Gaza, Sudão, Sudão do Sul, Mali e Haiti estão entre os locais mais propensos a vivenciar crises extremas de fome nos próximos meses, segundo relatório das agências de alimentação das Nações Unidas. Em análise divulgada pela FAO e pelo Programa Mundial de Alimentos, foi destacado que a insegurança alimentar grave deve se intensificar tanto em número quanto em gravidade em pelo menos 22 países, impulsionada por conflitos armados, mudanças climáticas e crises econômicas.
A expansão dos conflitos, especialmente no Oriente Médio, agrava a vulnerabilidade de milhões de pessoas. A guerra entre Israel e Gaza, que tem repercussões em áreas vizinhas como o Líbano, somada ao fenômeno climático La Niña, pode ameaçar ainda mais as frágeis cadeias de abastecimento de alimentos. A ONU alertou que sem uma ação humanitária urgente e esforços globais para desescalar conflitos, a fome e a perda de vidas aumentariam significativamente.
Impacto da Crise em Gaza e Sudão
Em Gaza, estima-se que cerca de 41% da população, o equivalente a 876 mil pessoas, enfrentarão níveis de fome considerados “de emergência” entre novembro e abril. Entre elas, cerca de 345 mil podem atingir a fase mais grave, classificada como “catastrófica”. Até meados de outubro, cerca de 1,9 milhão de habitantes já haviam sido forçados a deixar suas casas.
No Sudão, especialmente no acampamento de Zamzam, na região de Darfur do Norte, os refugiados deslocados pela guerra estão à beira da fome. A situação crítica se repete no Sudão do Sul, onde o número de pessoas ameaçadas pela desnutrição extrema pode dobrar em relação ao ano passado. Entre abril e julho de 2024, projeta-se uma piora significativa da fome no país, com agravamento esperado durante a próxima estação de entressafra. Enchentes também devastaram a região, impactando mais de um milhão de habitantes apenas em outubro.
Outros Países de Alta Vulnerabilidade
Haiti e Mali também figuram entre as regiões sob “altíssimo risco”. A violência das gangues e a instabilidade econômica no Haiti, somadas ao aumento de eventos climáticos extremos, ampliam a gravidade da crise alimentar na nação caribenha. Em Mali, onde os confrontos armados têm bloqueado estradas e cidades, a retirada da missão de paz da ONU em 2023 intensificou o isolamento e a escassez de alimentos.
Para a ONU, o impacto dos conflitos sobre a segurança alimentar vai muito além da destruição direta de cultivos e gado. O deslocamento forçado de populações compromete a produção local e limita o acesso ao mercado, levando a uma oscilação de preços e a uma produção irregular de alimentos. Em meio a um contexto de alta vulnerabilidade, a possível intensificação do La Niña pode agravar ainda mais as condições de fome, ameaçando inundar áreas já vulneráveis ou intensificar secas e ondas de calor.
Falta de Recursos Agrava a Crise
Com os apelos humanitários cada vez mais carentes de financiamento, sendo que 12 campanhas enfrentam déficits superiores a 75%, as agências da ONU alertam que 2024 pode marcar o segundo ano consecutivo de queda nos recursos para apoio emergencial. Situações críticas em países como Etiópia, Iêmen, Síria e Mianmar estão entre as mais afetadas, ressaltando a necessidade de uma resposta global para conter a crise humanitária iminente.

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