Um estudo meticuloso publicado na revista “Biomedicine & Pharmacotherapy” lança luz sobre os potenciais perigos do uso indiscriminado de hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Pesquisadores franceses apontam que o medicamento, amplamente promovido e administrado em seis nações – Bélgica, Espanha, França, Itália, Turquia e Estados Unidos – pode ter contribuído para o óbito de até 17 mil pacientes hospitalizados nos primeiros três meses da pandemia.
No Brasil, o cenário não foi diferente. Sob a influência do ex-presidente Jair Bolsonaro e uma confluência de vozes políticas e médicas, a hidroxicloroquina foi empurrada para o centro do debate público, contrariando diretrizes globais de saúde. O Ministério da Saúde brasileiro, alinhado às pressões bolsonaristas, endossou veementemente o uso do medicamento, ampliando sua recomendação até para casos leves da doença.
Detalhando os números, na Espanha, dos mais de 100 mil pacientes hospitalizados com Covid-19, cerca de 87 mil foram tratados com hidroxicloroquina, resultando em quase 1.900 mortes atribuídas ao fármaco. Na França, de quase 100 mil internações, 15.600 receberam o medicamento, com 199 óbitos registrados.
Estas estatísticas, embora alarmantes, ressoam como um alerta contundente sobre os riscos intrínsecos de medicamentos administrados sem robustez científica. O estudo sugere uma reflexão profunda sobre as decisões terapêuticas em contextos de crise, com implicações cruciais para a gestão de futuras pandemias.

Deixe uma resposta