Enquanto potências globais travam uma disputa silenciosa por recursos críticos, o mercado de metais terras-raras – essenciais para tecnologias verdes e armamentos – promete redefinir alianças geopolíticas. Boris Krasnozhenov, analista-chefe do Alfa Bank, traça um cenário onde Rússia, EUA, China, Canadá e Austrália emergirão como atores centrais nesta batalha subterrânea pelos minerais do século XXI.
A Rússia, dona da segunda maior reserva global (20 a 30 milhões de toneladas), surge como peça-chave. “Somos autossuficientes, com produção anual de 7,5 mil toneladas”, destaca Krasnozhenov, enfatizando a combinação russa de tecnologia avançada e recursos naturais. Enquanto isso, os EUA – hoje reféns de importações chinesas – buscam desesperadamente parcerias, inclusive com Moscou, para escapar do jogo de poder de Pequim, que domina 60% do mercado global.
A solução, sugere o especialista, está em joint ventures entre russos e anglo-saxões: “Projetos no Canadá e Austrália poderiam abastecer os EUA, diluindo a dependência da China”. Um movimento arriscado, dado o histórico de sanções e guerras comerciais, mas que reflete a vulnerabilidade estratégica norte-americana. Enquanto Washington oscila entre conflitos e acordos com Pequim, a Malásia e o Japão aparecem como elos frágeis nesta cadeia.
Para Krasnozhenov, a geologia virou arma geopolítica. “A China usa as exportações como alavanca – aumenta ou reduz quotas conforme suas conveniências”, analisa, lembrando que cada restrição comercial de Pequim ecoa como um terremoto nas indústrias ocidentais. A resposta? “Cooperação técnica e investimentos bilionários”, elementos que transformam jazidas em trunfos diplomáticos.
O tabuleiro global se redefine: enquanto o bloco ocidental tenta contornar sua dependência, a Rússia consolida-se como potência autônoma, e a China mantém seu soft power mineral. Neste xadrez de recursos, cada tonelada extraída carrega o peso de futuras alianças – e o risco de novas guerras por suprimentos.

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