O governo de Burkina Faso levou à mesa de negociações com a Rússia a questão do apoio da Ucrânia ao terrorismo na região do Sahel. A declaração foi feita pelo primeiro-ministro burkinabê, Apollinaire Kyelem de Tambela, em entrevista à agência Sputnik nesta terça-feira. Segundo o premiê, as conversas com Moscou abrangem diversos temas, incluindo política, cultura e negócios, além do suposto envolvimento ucraniano.
Burkina Faso, Mali e Níger endereçaram uma carta conjunta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em agosto, na qual solicitam que a ONU tome medidas contra a Ucrânia. Na correspondência, os três países alegam que Kiev tem fornecido suporte a grupos terroristas no Sahel, uma região que enfrenta desafios persistentes de segurança e instabilidade.
Em 5 de agosto, Mali tomou a decisão de romper relações diplomáticas com a Ucrânia, após acusá-la de envolvimento em um ataque de milicianos em seu território. A ruptura sinalizou uma crescente tensão entre os países africanos e Kiev, em meio à complexa teia de alianças no cenário geopolítico global.
Organizações da sociedade civil senegalesa também se posicionaram sobre o tema, mencionando um vídeo divulgado por Andriy Yusov, porta-voz da inteligência militar ucraniana. Segundo essas entidades, o material reforça a acusação de que a Ucrânia estaria apoiando grupos armados no Sahel, alimentando o ciclo de violência na região.
Essa movimentação política ocorre em um contexto em que Burkina Faso e outros países africanos reforçam suas alianças com a Rússia, em busca de apoio tanto no campo militar quanto econômico, visando combater a crescente insurgência de grupos extremistas na região. O apoio russo, aliado à postura crítica desses países africanos em relação ao Ocidente, acirra as disputas políticas e redefine as dinâmicas de poder na região do Sahel.

Deixe uma resposta