Os eleitores romenos começaram neste domingo (26) a escolher o sucessor do atual presidente Klaus Iohannis, em um cenário político marcado por incertezas e polarização. Entre os 13 candidatos que disputam o cargo, destacam-se o atual primeiro-ministro, Marcel Ciolacu, do Partido Social Democrata (PSD), e George Simion, líder da Aliança para a União dos Romenos (AUR), um movimento de extrema direita.
Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos no primeiro turno, um segundo turno está programado para 8 de dezembro. Pesquisas indicam que Ciolacu lidera com 25% das intenções de voto, enquanto Simion oscila entre 15% e 19%. A participação do eleitorado foi de 27% até o meio-dia (horário local), de acordo com o bureau central de eleições.
A possível ascensão de Simion ao segundo turno preocupa analistas políticos. Cristian Pirvulescu, especialista em política romena, alertou que um desempenho expressivo do líder da AUR pode fortalecer sua base para as eleições parlamentares de 1º de dezembro. “A democracia romena enfrenta, pela primeira vez desde a queda do comunismo em 1989, um risco real”, afirmou em entrevista à AFP.
O PSD, partido dominante na política romena desde 1990, enfrenta um momento delicado, com o país lidando com os impactos da inflação alta e da guerra na vizinha Ucrânia. Apesar de a inflação estar em queda, com previsão de 5,5% até o final de 2024, Simion tem capitalizado sobre o descontentamento popular em relação à crise econômica.
Além de explorar temas econômicos, Simion sustenta uma retórica nacionalista, propondo a unificação com a Moldávia, país que recentemente renovou a proibição de sua entrada. Ele também se posiciona contra o envio de ajuda militar à Ucrânia e adota discursos alinhados ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, incluindo alegações de possível fraude eleitoral.
Para Cristian Andrei, consultor político, o descontentamento generalizado com a classe política pode abrir caminho para um regime populista. “A insatisfação é profunda e se estende por todas as classes sociais. Isso pode criar uma tentação perigosa para líderes adotarem caminhos populistas”, analisou.
À medida que as urnas se fecham, a Romênia se prepara para um possível embate que não apenas definirá seu futuro político, mas também testará a resiliência de sua democracia.

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